No dia 6 de outubro de 2026, o Museu Paraense Emílio Goeldi completa 160 anos. A instituição nasceu quando grande parte da Amazônia ainda era descrita por viajantes estrangeiros e atravessou profundas mudanças até se tornar uma referência em biodiversidade, arqueologia, linguística e culturas amazônicas.
Mais do que celebrar um prédio ou uma coleção, o aniversário ajuda a entender como mudou a própria maneira de produzir conhecimento sobre a região.
Como começou o Museu Goeldi?
O então Museu Paraense foi fundado em 1866 por Domingos Soares Ferreira Penna, naturalista e secretário do governo da Província do Pará. A proposta era criar uma instituição dedicada ao estudo da natureza e das sociedades da Amazônia.
Em 1894, sob a direção do zoólogo suíço Emílio Goeldi, o museu passou por uma grande reorganização. O antigo gabinete de curiosidades ganhou estrutura científica, equipes especializadas e novas formas de documentar os acervos.
Por que ele se tornou tão importante?
O Museu Goeldi é o instituto científico mais antigo da Amazônia e o segundo museu de história natural mais antigo do Brasil. Suas coleções preservam exemplares de fauna e flora, materiais arqueológicos, registros linguísticos e objetos ligados às sociedades amazônicas.
Esses acervos permitem comparar mudanças ao longo do tempo. Uma planta coletada há décadas pode revelar alterações na distribuição de uma espécie. Um objeto arqueológico, quando estudado em seu contexto, ajuda a compreender tecnologias e modos de vida anteriores à formação das cidades atuais.
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Do gabinete à pesquisa colaborativa
A ciência do século XIX costumava tratar povos e territórios como fontes de material a ser classificado. Hoje, pesquisas do Museu Goeldi buscam ampliar a parceria com povos indígenas, quilombolas e comunidades ribeirinhas.
Conhecimento tradicional e método científico não precisam ocupar lados opostos. Quando o diálogo é conduzido com respeito, cada forma de conhecimento pode ajudar a construir perguntas melhores sobre biodiversidade, uso sustentável do território e memória cultural.
Uma instituição que também pertence a Belém
O Parque Zoobotânico ocupa mais de cinco hectares de floresta plantada em uma área urbana de Belém. O casarão conhecido como Rocinha e o jardim se tornaram parte da memória afetiva da cidade.
O que mais me chama a atenção é essa combinação: um centro de pesquisa reconhecido internacionalmente também funciona como espaço onde crianças e famílias encontram a Amazônia de perto.
Essa trajetória conversa com nosso guia sobre como coleções de fósseis ajudam a reconstruir o passado do Brasil. Também mostramos como a arquitetura do Rio guarda registros geológicos inesperados.
Aos 160 anos, o Museu Goeldi continua demonstrando que conhecer a Amazônia exige tempo, continuidade e participação de quem vive nela. Seu legado não está somente nos milhões de itens preservados, mas na capacidade de conectar ciência, cultura e sociedade.
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Fontes consultadas
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