Prédios do Rio de Janeiro

Prédios do Rio de Janeiro escondem fósseis com até 2 bilhões de anos

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Quem caminha pelo Centro do Rio de Janeiro pode passar por fósseis sem perceber. Eles não estão apenas dentro dos museus: aparecem nas pedras usadas em fachadas, pisos e paredes de alguns dos edifícios históricos da cidade.

Uma rota organizada após o VIII Congresso Latino-Americano de Paleontologia de Vertebrados chamou atenção para esse patrimônio escondido. Segundo a Agência Nacional de Mineração, certas rochas observadas no percurso guardam registros cuja história geológica chega à escala de bilhões de anos.

Como fósseis foram parar nos prédios?

Durante séculos, pedras ornamentais foram escolhidas pela resistência e pela aparência. Mármore, calcário e travertino costumam apresentar desenhos, fragmentos de conchas e estruturas formadas em antigos ambientes marinhos.

Quando essas rochas são cortadas e polidas, detalhes que estavam escondidos ficam visíveis. Uma parede pode, assim, funcionar como uma enorme lâmina geológica — embora nem todo desenho parecido com planta ou concha seja realmente um fóssil.

O que pode ser observado no Centro do Rio?

O roteiro passa por edifícios como o Centro Cultural Banco do Brasil e outras construções históricas. Prédios do final do Segundo Império e início da República receberam mármores e travertinos de origem italiana. Construções do período do Estado Novo também utilizaram metacalcários extraídos no sul de Minas Gerais.

Essas pedras contam duas histórias ao mesmo tempo: a formação do planeta e as escolhas arquitetônicas de cada época.

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Rochas também viajaram em navios

Há ainda um detalhe curioso ligado ao Brasil colonial. Algumas rochas chegavam como lastro, o peso colocado nos navios para dar estabilidade durante a travessia. Depois de descarregadas, as embarcações retornavam à Europa levando produtos e riquezas.

Parte desse material acabou incorporada às construções. Por isso, observar uma fachada antiga pode revelar conexões entre geologia, comércio e urbanização.

Por que a rota é importante?

A paleontóloga Márcia Polck, da ANM, conduziu a atividade para aproximar a ciência do cotidiano. Eu gosto especialmente dessa proposta porque ela muda o modo como olhamos a cidade: o patrimônio não está apenas nas esculturas ou nos documentos, mas também na matéria usada para construir os edifícios.

Para entender como os pesquisadores reconhecem e interpretam esses vestígios, veja nosso guia sobre como os fósseis ajudam a reconstruir a pré-história do Brasil.

Outra instituição que une ciência, memória e patrimônio é o Museu Goeldi, que completa 160 anos dedicado à Amazônia.

Na próxima vez que você atravessar o Centro do Rio, vale reduzir o passo e observar as pedras. Aquilo que parece apenas um padrão decorativo pode ser um registro de um ambiente desaparecido muito antes de existir qualquer cidade naquele lugar.

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Fontes consultadas